A saúde auditiva, e mais particularmente a área da amplificação e reabilitação auditiva, deve mudar sua abordagem, avalia Brian Taylor, em um artigo publicado recentemente pelo site HearingReview.com. O artigo é parte de um conjunto de contribuições (The Hearing Review – Edição Outubro 2016) buscando traçar o lugar do audiologista no paradigma que estamos vendo nascer.
Entre os fundamentos deste novo mundo em construção, há o advento da saúde móvel e as potencialidades oferecidas por smartphones e aplicativos, as vendas de aparelhos auditivos em redes de supermercados e pela internet e adaptações remotas, a concorrência dos amplificadores pessoais de som (cuja utilidade foi reconhecida pelas mais altas autoridades cientÃficas dos Estados Unidos) e questionamentos sobre o nÃvel de inovação da indústria de aparelhos auditivos e o preço dos produtos .
Taylor lembra que o processo de seleção e adaptação de AASI realizado em consultas presenciais e culminando na venda do produto, provavelmente permanecerá entre os serviços oferecidos para as pessoas que apresentam perdas mais complexas. No entanto, essa abordagem não dá certo com indivÃduos com perdas menores e graduais, e que não consideram ter um problema auditivo.
Desta maneira, a visão binária e tradicional que prevalece na nossa área – ‘adapta aparelhos auditivos’ versus ‘não adapta aparelhos auditivos’ – revela-se ultrapassada, e uma revolução se faz necessária.
Da mesma forma que muitas condições clÃnicas, que antes necessitavam cirurgia hoje estão sendo tratadas por técnicas não – ou minimamente – invasivas, a saúde auditiva precisa criar modelos sustentáveis e com capacidade de incluir novas categorias de pacientes, não somente aqueles que são mais suscetÃveis de seguir o caminho da adaptação de aparelhos auditivos.
Nesta perspectiva, o conceito de audiologia interventiva, inicialmente cunhado por Taylor e colaboradores em 2013, é aquele em que convergem saúde pública, aconselhamento pessoal, teleaudiologia e eletrônicos de consumo, para atender a demanda de grupos de pacientes que permanecem fora do modelo atual. “A audiologia interventiva vai nos afastar de nossos audiômetros e nos colocar, com frequência virtualmente, em territórios desconhecidos: centros comunitários, consultórios médicos, centros de trauma, farmácias, ou talvez até em uma loja de eletrônicos de consumo ou na casa de alguémâ€, prevê Taylor.
Fonte : Texto e Imagem retirados do site audiology-infos.