Fearsom Aparelhos Auditivos - Ajudar pessosas a encontrar soluções para ouvir melhor

Um trabalho realizado com 110 jovens protetizados entre seis e 10 anos em um serviço de atenção à saúde auditiva (SASA) de alta complexidade de Belo Horizonte (MG), no período de setembro de 2011 a maio 2012, conclui através do estudo observacional analítico transversal que 94% das crianças tiveram desempenho escolar considerado “inferior”.
Os pacientes avaliados tinham perda auditiva de grau leve a profundo e passaram por testes de linguagem, percepção de fala, discriminação fonêmica e desempenho escolar. Outros resultados marcantes foram que 65% das crianças apresentavam alteração do vocabulário e outras 89% problemas fonológicos.
O trabalho concluiu que “independentemente do grau da perda auditiva, o diagnóstico e as intervenções necessárias ocorreram tardiamente, com prejuízo das habilidades linguísticas e auditivas destas crianças”. Assim, tanto o diagnóstico quanto a adaptação de AASI e o início da fonoterapia ocorreram após os cinco anos de idade. O estudo também evidenciou que “grande parte das crianças ainda encontrava-se sem acompanhamento fonoaudiológico ou estava realizando um número insuficiente de sessões”.
Para Letícia Macedo Penna, cuja dissertação de mestrado foi a base da publicação, existe uma relação entre diagnóstico tardio, adaptação de AASI de forma tardia e a ausência de fonoterapia. “O impacto destes fatores varia muito de criança para criança, principalmente em relação ao desenvolvimento do sistema nervoso auditivo central, que pode estar mais prejudicado em razão da idade do diagnóstico e da reabilitação, do grau da perda auditiva, do uso efetivo do AASI, etc. São muitos fatores que podem influenciar. Atualmente já caminhamos muito em relação à detecção precoce da perda auditiva, e este estudo avaliou crianças que não passaram pela TAN, portanto seria interessante um trabalho prospectivo, com crianças diagnosticadas precocemente para analisarmos a relação destas variáveis”, explica.
Heterogeneidade do País
De acordo com a fonoaudióloga, os resultados retratam a situação particular de um serviço credenciado pelo SUS e dificilmente podem ser generalizados para todo o Brasil. “Cada região tem sua peculiaridade e a situação da saúde auditiva nas diferentes regiões do País é muito diferente. Em Minas, a rede de saúde auditiva é bem estruturada, contamos com apoio das fonoaudiólogas descentralizadas em todo o Estado e que realizam o trabalho de reabilitação das crianças atendidas no SASA. Mesmo assim, não conseguem atender toda a demanda. Imagine em outras regiões como no Pará onde, além da falta de profissionais capacitados, as crianças viajam horas de barco para chegar até o SASA e suas famílias têm dificuldades para comprar baterias. Já na cidade de São Paulo, os SASA estão distribuídos por regiões facilitando o acesso dos pacientes, e há um maior número de profissionais e centros de reabilitação. Com estes poucos exemplos podemos ver a heterogeneidade do País”, ressalta Letícia Penna.
Além de mostrar as consequências do diagnóstico tardio, o trabalho sugere a importância das tecnologias assistivas como o sistema de FM em salas de aula. Dispositivo cuja concessão pelo SUS iniciou no final de 2013. Outro trabalho, também realizado na dissertação de mestrado de Letícia Penna, e onde estudou-se o desenvolvimento lexical das crianças com deficiência auditiva, mostrou uma associação estatisticamente significativa entre a discriminação fonêmica e o desempenho na prova de vocabulário.
Fonte: Penna LM, Lemos SM, Alves CR. Auditory and language skills of children using hearing aids. Braz J Otorhinolaryngol. 2015;81:148-57.